
Ao mesmo tempo que eram unha e carne, também eram unha na carne. O faqueiro da casa não possuía lâminas tão afiadas quanto as dos maldizeres proferidos a cada conclusão de ciclo, nem as rosas eram tão cheirosas quanto o perfume das palavras contidas nas cartas de reconciliação. E era de fato assim, o néctar daquele sentimento não existiria se não houvessem podas regulares com pequenas primaveras a ordenar sua nova redenção. Aquele amor, servido pela garçonete do restaurante japonês e apreciado pela rapariga de cabelos louros, fugia de toda e qualquer interpretação. Como podia ser feito de amor, dor, torpor, temor e ainda ditar regras, caminhar na chuva, levar na estação-tubo, dizer que ama e mesmo assim dizer que não ? E toda vez que se abraçavam de volta é como se estivessem voltando ao primeiro dia em que se abraçaram mais forte, talvez um abraço tímido, mas com o desejo de cumprir no segundo o que deixaram de demonstrar no primeiro. Mesmo sabendo que why she had to go, I don't know, she wouldn't say, partiam inseguras e discretas pro ato final, que logo voltaria a ser prólogo e assim por diante. Pelas armadilhas do tempo, ainda há quem questione: será que a rapariga loura só queria comer sushis ?
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