12 de outubro de 2011

Versos soltos

Esses dias havia ido tomar um pouco de sol no jardim, ao som de algum som veranil que vinha da janela do quarto. Quando me sentei, pensei que era justo aumentar o som da música, afinal, o sol estava árduo e vivo, se integrando ao meu corpo pálido, cálido por seus raios vívidos, retumbantes. Liguei o volume ao máximo, voltei à minha esteira imaginária, me aconcheguei na parede úmida e estiquei as pernas sob os ladrilhos vermelhos da varanda e disparei um olhar certeiro para o sol que, impiedosamente, havia sido substituído por colônias de nuvens nebulosas bandidas que não me satisfariam nenhum pouco sequer. Foi então que me indaguei se era assim também com o amor; seria ele a diretriz que nos salpica com raios de profundo torpor e paixão, nos aquece no zêlo de um abraço e nos torna mais rijos nas fotossínteses e mutações do dia-dia ? Talvez fosse. Eu não tinha o sol ali, mas sabia que de algum lugar ele enviava raios que fulminavam na minha existência, assim como o amor que se esconde atrás das nuvens pra trazer-me uma sombra que seja.

Nenhum comentário:

Postar um comentário