31 de outubro de 2011

Bossa Nossa

Irei despido ao samba que você me convidou, tomando cuidado pra cair não em buracos que já caímos e nos abismos que cavastes com teus pés. Como no cinema, te levarei uma rosa e um poema ou te amarei como se fosses a última antes que eu termine por agonizar no meio do Passeio Público. E rezarei Laia Ladaia Sabatana Ave-Maria, rasgarei uma camisa e enxugarei teu pranto, escreverei no quadro em palavras gigantes: Pérola Negra: te amo, te amo. Enquanto essas pessoas na sala de jantar só pensam em nascer e morrer, a menina dança. E se você fecha o olho, a menina ainda dança. E ela é minha menina, e eu sou o menino dela, ela é o meu amor e eu sou o amor todinho dela. De quimeras mil, um castelo ergui, seis horas, como era de se esperar, ela pega e me espera no portão e no seu olhar tonto de emoção, me beija com a boca de feijão. Se eu fingir e sair por aí na noitada, por ter perdido a calma, por ter vendido a alma ao diabo, a realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só tristeza e também posso chorar, mas tenho os olhos tranquilos de quem sabe seu preço. Coitado do homem que cai no canto de Ossanha, traidor. Pergunte pro seu orixá, o amor só é bom se doer. É pau, é pedra, é o fim do caminho e o resto é mar, são coisas que eu não sei contar. A minha gente sofrida despediu-se da dor pra ver a banda passar cantando coisas de amor, deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz. Minha cidade toda se enfeitou pra ver a banda passar cantando coisas de amor, toda rosa é rosa porque assim ela é chamada, toda bossa é nova e você não liga se é usada.

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