11 de abril de 2011
Atrás da porta 43
Nas tragadas do último cigarro da noite, fitava o relógio de um tempo que nunca passa. Apesar das enormes crateras internas, seu sorriso mantinha-se vivo no rosto angelical de menina confusa que ainda se escondia debaixo do cobertor de zebrinha. As luzes permaneciam apagadas naquele coração que nunca testemunhara luzes acesas, pincelava em refrões de músicas resenhas de sua vida, colhia rosas secas e exprimia cravos vivos, tatuava Nietzche como quem escreve um poema, tinha anjos, demônios e cinzeiros na cabeceira. Escondia debaixo do travesseiro, uma porção de sonhos. Fechados os olhos, se perdia, sem ímpeto, na ácida mente da sonhadora íntima de um mundo de janelas enormes e arranha-céus faraônicos.
Por
Willian Aust
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário