3 de abril de 2011

Entre janelas enormes e arranha-céus faraônicos

Por entre janelas enormes e arranha-céus faraônicos, buscava alguma luz, algum sinal. Parecia se perder dentro de um labirinto arquitetado por si mesma, e escondia tudo: dinheiro, comida, dor, sorrisos. Não era questão de carência, depressividade ou algumas dessas doenças que gente rica gosta de ter, a questão era que ela não queria mais viver, viver um vazio, viver. Já teve muitos amores, daqueles que davam beijinho de boa noite, traziam café com duas colheres e meia de açúcar e que no final de cada ano a faziam repetir mais uma vez: "De novo, sem alguém pra dividir esta garrafa de espumante". Ela tinha olhos bonitos, mas também haviam colméias impetuosas por trás da beleza daquele olhar intocável. Um dia, decidiu fugir de casa (que para ela, significava fugir de si mesma) e nem deixou pistas do seu destino. Olhou para trás, só via janelas enormes e arranha-céus faraônicos, mas estava feliz. Ela nunca mais voltou.

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