Subia ladeiras, previa atalhos, esquecia do tempo. Era assim, uma tarde quente de semi-inverno, luvas nas mãos, nenhum relógio no braço ou no bolso, só o caminho de uma rua sem saída. Continuava seu passo torto pelas calçadas curvas, sem nenhuma curva nas estribeiras do seu destino inventado. Sentou-se frente aos dois túmulos num mausoléo com uma imagem de Cristo michelangelizado, olhou para o chão como quem olha pro nada, curvou a cabeça e chorou. Rezava bem baixinho, como quem cochicha com um anjo, dizia que não era preciso entender, lamuriar ou ver, era só sentir, só sentir. Sentia com ímpeto, e quando quedava-se emocionado já estava confortado, se tiraram por bem não haveriam de lhe fazer mal. Descia ladeiras, errava atalhos, se lembrava do tempo. O que restava agora era um caminho vazio, sem vida, com palmeiras vistosas que sombreavam o silêncio que naquele momento permanecia intocado.27 de abril de 2011
Silêncio fúnebre
Subia ladeiras, previa atalhos, esquecia do tempo. Era assim, uma tarde quente de semi-inverno, luvas nas mãos, nenhum relógio no braço ou no bolso, só o caminho de uma rua sem saída. Continuava seu passo torto pelas calçadas curvas, sem nenhuma curva nas estribeiras do seu destino inventado. Sentou-se frente aos dois túmulos num mausoléo com uma imagem de Cristo michelangelizado, olhou para o chão como quem olha pro nada, curvou a cabeça e chorou. Rezava bem baixinho, como quem cochicha com um anjo, dizia que não era preciso entender, lamuriar ou ver, era só sentir, só sentir. Sentia com ímpeto, e quando quedava-se emocionado já estava confortado, se tiraram por bem não haveriam de lhe fazer mal. Descia ladeiras, errava atalhos, se lembrava do tempo. O que restava agora era um caminho vazio, sem vida, com palmeiras vistosas que sombreavam o silêncio que naquele momento permanecia intocado.
Por
Willian Aust
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