O quarto mais parecia uma repartição pública:
pastas com folhas esquecíveis, caixas de sapato
com a sagrada missão de serem baús compactos,
um tapete plástico que lembra o piso dos ônibus
dos anos 90 e umas apostilas velhas, intactas.
Havia uma escrivaninha, tão bagunçada quanto
sua vida. Um copo de requeijão (sem o requeijão,
é claro) com água da torneira e uma caneca com
chá mate marcavam com suas superfícies molhadas
a bagunçada escrivaninha. Olhou para cima, viu
sua prateleira de filmes, e notou que não estavam
em ordem, ordem cronólogica. Mas o que importa.
Pensou com seus botões: "Sabe, esse negócio de
liberdade individual ? Conversa-pra-boi-dormir."
Não tinha muito o que pensar, afinal, aquilo era
uma prévia do que viria em pouco tempo, o que é
aclamado por muitos, para ele era fatídico: férias.
Uma palavra fatídica: Ual!
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