9 de julho de 2010

Que seja insosso

Sentou-se. O corpo era uma tábua, os olhos de gueixa não
enganavam, tinha um sorriso discreto, reservado. Pediu um
capuccino. Não era perfeita, inclusive estava longe disso, mas
para aquele começo de uma tarde nublada de primavera,
não havia companhia mais agradável. Tomou capuccino e
acendeu um cigarro, tinha uma voz rouca, rasgante, única.
Não se entregava, parecia tudo estéril, desertificante, seco.
Puxou outro cigarro, talvez dessa forma a conversa ficasse
mais longa. Não era corcunda, como julgavam. O cabelo
era bem penteado, e as unhas pintadas com belas cores.
A claridade da rua, lá fora, refletia seu rosto redondo,
simétrico ao seu desejo de pedir um Häggen Dazs. Deixou
o fundo da xícara vazio, oco. Não gostava nem de açúcar.
E assim também me deixou, insosso. Levantou-se, saiu.

Um comentário:

  1. não sabia que escrevia. Agora que sei estarei sempre aqui, estou te seguindo.
    Gostei do texto.
    Apareça no meu blog tbm.
    bjo

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