
Alívio segurança paz interior equilíbrio meditação macumba
simpatias búzios cartas incenso cipestre tudo. E nada. Ela já
sabia a receita da perda-de-tempo, agora só queria que lhe
apresentassem a felicidade. Parada na frente da grande suja
janela, encarava os ruídos da cidade. Já não era mais uma
simples janela, talvez um playground, filme de Sessão da
Tarde ou uma missão. Podia ser também seu reflexo. Suja,
mal cuidada, relaxada, porca, desordenada, insegura, cinza.
Feito a cidade, que gerava ruídos para os seus acomodados
ouvidos se satisfazerem nos seus malditos dias de existência.
Tinha muito conhecimento. Ela sabia como ninguém cada
passo em falso de algum pedestre na calçada lá em baixo.
Tinha Mercedes, Gardel, Édith e Maysa de vez em quando.
Nunca gostou de jantar sozinha. Os pratos, amontoados sobre
a pia, brincavam de Torre de Babel. Ela esperava alguém.
Certo dia, a janela não segurou seus cotovelos desgastados.
Cansada de esperar, resolveu calçar os sapatos vermelhos
e vestir o vestido mais bonito e mais mofado. Chegara a hora
simpatias búzios cartas incenso cipestre tudo. E nada. Ela já
sabia a receita da perda-de-tempo, agora só queria que lhe
apresentassem a felicidade. Parada na frente da grande suja
janela, encarava os ruídos da cidade. Já não era mais uma
simples janela, talvez um playground, filme de Sessão da
Tarde ou uma missão. Podia ser também seu reflexo. Suja,
mal cuidada, relaxada, porca, desordenada, insegura, cinza.
Feito a cidade, que gerava ruídos para os seus acomodados
ouvidos se satisfazerem nos seus malditos dias de existência.
Tinha muito conhecimento. Ela sabia como ninguém cada
passo em falso de algum pedestre na calçada lá em baixo.
Tinha Mercedes, Gardel, Édith e Maysa de vez em quando.
Nunca gostou de jantar sozinha. Os pratos, amontoados sobre
a pia, brincavam de Torre de Babel. Ela esperava alguém.
Certo dia, a janela não segurou seus cotovelos desgastados.
Cansada de esperar, resolveu calçar os sapatos vermelhos
e vestir o vestido mais bonito e mais mofado. Chegara a hora
de parar de gastar a sola do chinelo infeliz e deixar os velhos
trapos jogados sobre cama desarrumada. Esperava por alguém.
Naquela noite, finalmente conheceu o chão. Naquela noite,
finalmente encontrou o seu lugar. A janela era a saída. Só isso.
trapos jogados sobre cama desarrumada. Esperava por alguém.
Naquela noite, finalmente conheceu o chão. Naquela noite,
finalmente encontrou o seu lugar. A janela era a saída. Só isso.
Insano.
ResponderExcluirAs janelas são saídas. As portas, espero, são entradas, mas para cada um de nós um dia nada mais haverá além de uma janela.
ResponderExcluirLindo texto, digo, sensacional!