
Ele devia cantar. Pular e rir, ele deveria, mas estava imóvel por
entre as quatro paredes da sua imóvel vida. Não surgiu nenhum
"muito obrigado" no canto da boca, e o sorriso amarelado fazia-se
escondido atrás dos descascados lábios de inverno. Mas ela não
se importava. Insistia, incessantemente, em pousar suas mãos
em outras tão frias e distantes. Os olhos, acostumados em serem
admirados, agora a faziam perder mais tempo na frente do espelho.
Procurava, desespederadamente, um motivo, uma razão, um cisco.
Mas não queria achar nada. Preferia agonizar frente ao seu reflexo.
Ela deveria chorar, espernear, fazer como toda mulher faz. Mas não.
No banco frio da praça, ele puxou "como num romance, o homem dos
meus sonhos me apareceu no dancing..." e ela nem se fez ouvir. Essa
vida de sobreviventes parecia estar construindo uma cruz cada vez
maior em suas costas. Saturados, fadigados deram o beijo derradeiro.
As mãos, pálidas e geladas, alimentavam o profundo desejo de acenar
o último "até mais" ou "até nunca". Mas não. Continuavam parados
na praça fria, queriam ganhar o último calor do corpo do outro, pois
sabiam que dali a frente sentiriam o frio da solidão. Nessa hora, um
"eu te amo" poderia ter surgido, avassaladoramente. Mas não, não.
entre as quatro paredes da sua imóvel vida. Não surgiu nenhum
"muito obrigado" no canto da boca, e o sorriso amarelado fazia-se
escondido atrás dos descascados lábios de inverno. Mas ela não
se importava. Insistia, incessantemente, em pousar suas mãos
em outras tão frias e distantes. Os olhos, acostumados em serem
admirados, agora a faziam perder mais tempo na frente do espelho.
Procurava, desespederadamente, um motivo, uma razão, um cisco.
Mas não queria achar nada. Preferia agonizar frente ao seu reflexo.
Ela deveria chorar, espernear, fazer como toda mulher faz. Mas não.
No banco frio da praça, ele puxou "como num romance, o homem dos
meus sonhos me apareceu no dancing..." e ela nem se fez ouvir. Essa
vida de sobreviventes parecia estar construindo uma cruz cada vez
maior em suas costas. Saturados, fadigados deram o beijo derradeiro.
As mãos, pálidas e geladas, alimentavam o profundo desejo de acenar
o último "até mais" ou "até nunca". Mas não. Continuavam parados
na praça fria, queriam ganhar o último calor do corpo do outro, pois
sabiam que dali a frente sentiriam o frio da solidão. Nessa hora, um
"eu te amo" poderia ter surgido, avassaladoramente. Mas não, não.
Nas horas precisas um 'eu te amo' nunca aparece, mas em relação aquelas amizades fúteis de hoje em dias 'eu te amo' é mais dito que 'bom dia'
ResponderExcluirgostei do post ;)