18 de dezembro de 2010

Quando janeiro chegar

Quando janeiro chegar, temos de estar preparados para prováveis decaptações, enforcamentos, genocídios e insônias. Talvez a Imprensa se torne mais tendenciosa, os políticos se virem contra quem os colocou no poder, as novelas apelem mais ao sexo e o prazer para conquistar audiência, os movimentos sociais se tornem mais violentos, os ditadores conquistem o que querem disfarçados de "pai dos pobres", o número de assassinatos aumente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo continue engavetado, os negros continuem a fazer parte das cenas de senzala na novela das seis, o transporte rodoviário aumente, a Coréia do Norte resolva atacar brutalmente, os chineses se tornem a nação mais poderosa do planeta, o Justin Bieber seja comparado a Elvis Presley, apareça outro "fenômeno musical" muito bem fabricado e que conquiste os corações direcionados à mesmice, o Zeca Camargo continue sendo o apresentador do "Fantástico", o Fábio Assunção vire protagonista de uma minissérie sobre o dia-dia de um narcótico, a presidente contrate um tradutor para traduzir o que ela diz, o desejo infeliz de separatismo do Sul seja realizado ou que a gente descubra que tudo isso não passa de um sonho (ou um pesadelo). Quando janeiro chegar, temos de estar preparados. Preparados pra não sermos esmagados por todos os outros meses que seguirão. Quando janeiro chegar, atente, embora pareça paulo-coelhístico demais, tudo pode acontecer, se você deixar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário