14 de dezembro de 2010

Dias de tudo, dias de nada. Diálogo entre A e C

- Perguntas demais, pra respostas de nunca. Dias assim, que cumprem seu ciclo por obrigação de uma mente superior que ostenta todo poder em nos tornar vítimas de seus castigos e viciados em sua graça. Agora eu te digo, meu bem, não adianta você parecer assim tão insegura, tão acostumada com as pontadas da vida. Não te quero ver chorando pelos cantos como garota que pede socorro, me ajude, sendo que você não fez nada pra reverter essa situação. Não adianta nada, baby, a gente leva, a gente toma, toma bem tomado, tomados de tanto tomar é que vemos que temos muitos cálices para beber. Cecília, me escuta. Eu sei que está me ouvindo, não é ? Pois então. Todo mundo tem seus dias de paraíso e outros de consolação, a avenida Paulista tem eles todos dias, mas ela é ela. Você é você. É tão bom te ver assim, pra que quando eu for te ver feliz da vida poder pensar: "mais uma vez, ela se superou". Mas não adianta dizer coisas bonitas, utopias, sonhos demais e ter atitudes de menos. De belas palavras, as bibliotecas estão cheias. Talvez ainda te falte algo, embora não te falte nada. Chega disso, o bonde vai passar logo e você precisa encarar sua vida. - Posso te dizer uma coisa ? - Claro, Cecília. - Obrigada, mesmo. - Por nada.

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