17 de dezembro de 2010

Tudo o que Cecília queria, mas não queria saber

Como fogos de artifício que brilham no céu, esplendorosos,
que nos surpreendem com sua magnitude, e também com a
sua inesperada insensatez. Tinha poderes mágicos: convertia
lágrimas em sorriso, e vice-versa. Acordava todas as manhãs
se perguntando se estava um pouco mais fria e insensível do
que no dia anterior. Caminhava, digo, rastejava seu corpo
pesado como se carregasse uma cruz, um mês de agosto.
Seus braços agora eram os cavaletes que seguravam a enorme
pintura surrealista que seu coração havia pintado com sangue.
Como eu pude me tornar isso, dizia a si mesma.
Seu corpo sortia em um desespero masoquista que se abria,
como uma rosa andina, para o desagradável desejo árduo de
simplesmente se conformar. Há muito tempo seu veneno
preferido havia se tornado combustível, vício, dependência.
Já era hábito recorrente cometer suicídios diários, sobretudo
nos finais de semana. E aquele cinza sombrio tornava-se, aos
poucos, pólvora em seus seus olhos semi-acordados, e insistia
insistia insistia em insistir na insistência de insistir. Talvez uma
palavra, um gesto, um revólver, resolvessem tudo. Talvez não.
Por trás de todo o poço de frieza, um sorriso e um "eu te
amo e nunca duvide disso", a deixava de pernas bambas.
Ela só precisa ser Cecília de volta, só isso.
(Escrito em 31 de agosto de 2010)

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