Sim, deve haver algum engano por aqui. É estranho pensar
que antes eu te tinha por inteira, agora te tenho em segredo.
Segredo muito bem guardado, mas eu não queria esconder
que eu sempre fui de você, e você sempre foi de mim. Toda
essa história de trocas-de-personalidade está me deixando
tão distante do normal, que já é anormal. Sorrateiros, juntos,
aqueles pães de queijo com seu refrigerante favorito, sumiam
do florido prato de plástico. Porque acreditávamos, éramos.
Caímos na mesma armadilha, e agora ela pesa sobre nossos
corpos imóveis, impávidos, inúteis. E assim, contorcidos pela
noite de fogos, lutamos para nos achar por entre os livros de
romance da Biblioteca. Eu sei de você, você sabe de mim.
Benditos os livros que nos escondem da grande armadilha.
Porque acreditamos, somos o que poderíamos acreditar ser.
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ResponderExcluirQue texto bem escrito, que fluxo bem construído, que metáforas! Muito bom mesmo!
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